Formação da Campanha da Fraternidade 2026 destaca o direito à Moradia Digna

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Palmas (TO) — A Arquidiocese de Palmas promoveu, no dia 31 de janeiro, a formação da Campanha da Fraternidade 2026, no Salão da Paróquia Nossa Senhora do Monte do Carmo, localizado na quadra 108 Norte, Alameda 02, AI-06, em Palmas (TO). Neste ano, a Campanha traz como tema “Fraternidade e Moradia” e convoca a sociedade a refletir sobre a moradia como um direito essencial para a dignidade humana, indo além do espaço físico e abrangendo convivência, proteção, espiritualidade e justiça social.

Durante a abertura, o arcebispo de Palmas, Dom Pedro Guimarães Brito, destacou que a moradia não se limita à construção material. “Cristo deseja fazer morada entre nós e em nossos corações. O verdadeiro lar nasce do amor, da acolhida e da solidariedade”, afirmou. Para ele, a casa é símbolo de fé e convivência, lugar onde se manifesta a presença de Deus por meio das relações humanas.

Participação da Ação Social Jesus de Nazaré

A formação contou com a presença da equipe da Associação Ação Social Jesus de Nazaré (AASJN), que participou ativamente das atividades propostas. Representando o Conselho Deliberativo, o presidente Jocel Santiago de Araújo acompanhou o momento formativo ao lado de colaboradores da instituição, reforçando o compromisso da AASJN com a promoção da dignidade humana e com iniciativas voltadas à justiça social.

Durante a atividade, a participação da equipe evidenciou o alinhamento da Associação com os princípios da Campanha da Fraternidade, especialmente no que se refere à defesa do direito à moradia como fundamento para uma vida plena e cidadã.

Vivências e reflexão sobre o direito à moradia

Convidado para ministrar a formação, o Diácono Rodrigo Dias, de Ilhéus (BA), iniciou sua exposição compartilhando memórias da infância vivida em uma fazenda de cacau, onde destacava o sentimento de segurança, liberdade e pertencimento. O contraste surgiu quando, ao mudar-se para a cidade para estudar, experimentou espaços reduzidos, reclusão e medo — evidenciando como o local de moradia molda profundamente a vida humana.

O diácono enfatizou que a casa é espaço sagrado de vínculos e pertencimento, mas lembrou que milhares de brasileiros vivem sem moradia própria, dependem de casas alugadas ou improvisadas e, em situações extremas, enfrentam a realidade das ruas. “Cristo também viveu como peregrino. Quando acolhemos os mais vulneráveis, acolhemos o próprio Cristo”, destacou.

História e identidade da Campanha

Rodrigo Dias fez ainda uma retrospectiva da Campanha da Fraternidade, criada em 1964, ressaltando que ela se consolidou como o maior projeto de evangelização da Igreja no Brasil. Ao longo de sua trajetória, abordou temas de forte impacto social, buscando conscientizar fiéis e inspirar ações transformadoras.

Ele explicou os elementos simbólicos do cartaz da Campanha deste ano de 2026, destacando a figura de Jesus como pessoa em situação de rua, imagem que provoca a consciência cristã para a vulnerabilidade humana e reforça o chamado à solidariedade.

Justiça social e trabalho digno

Outro ponto da formação foi a crítica ao modo como grandes empreendimentos e construções são, por vezes, erguidos às custas da exploração e da precarização do trabalho. O diácono ressaltou que bens adquiridos com injustiça não podem ser considerados abençoados. “A verdadeira bênção está na conquista que respeita o trabalhador, promove vida e fortalece a fraternidade”, afirmou.

Acolhida como lugar de transformação

Destacando a importância do acolhimento nos lares, igrejas e espaços comunitários, o palestrante citou o Evangelho de Lucas (19,1-10), que narra o encontro entre Jesus e Zaqueu. “Acolher transforma vidas”, disse, lembrando que o gesto de Jesus ao entrar na casa de Zaqueu gerou conversão, reparação das injustiças e experiência de salvação.

Desigualdades e expansão urbana

A formação também discutiu o impacto da expansão imobiliária nas cidades brasileiras. A valorização excessiva de imóveis e terrenos tem empurrado famílias de baixa renda para periferias, aprofundando a segregação socioespacial. Nessas áreas, serviços básicos muitas vezes são insuficientes, evidenciando a exclusão social e a negação do direito à cidade.

Diante desse cenário, foi destacado o desafio de repensar modelos urbanos e políticas habitacionais que coloquem a dignidade humana no centro das decisões.

Compromisso cristão com a moradia digna

A formação da Campanha da Fraternidade 2026 reforça o compromisso profético da Igreja ao destacar a moradia como direito humano fundamental. As reflexões de Dom Pedro e do Diácono Rodrigo reforçam que a casa deve ser um espaço de acolhida, pertencimento e vivência da fé.

Nesse sentido, a Campanha convoca cristãos e sociedade a assumirem ações concretas e responsabilidade coletiva na defesa de políticas públicas e iniciativas que garantam moradia digna, especialmente para os mais vulneráveis, fortalecendo comunidades mais solidárias e fraternas.