Palmas (TO) – A Escola Estadual João Paulo II realizou, no último dia 17 de abril, um evento de culminância dos projetos pedagógicos que transformou o ambiente escolar em um espaço de reflexão crítica e valorização cultural. A programação reuniu estudantes, professores e convidados em torno de dois eixos centrais: a influência das mídias digitais nos hábitos alimentares dos adolescentes e a riqueza da cultura dos povos indígenas.
A abertura foi marcada por discussões sobre o impacto do ambiente virtual nas escolhas alimentares da chamada “Geração Z”. A professora e engenheira de alimentos, Kátia Cilene, destacou os riscos do consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, impulsionado pelo forte apelo visual das redes sociais.
“É fundamental que os adolescentes desenvolvam um olhar crítico para as mídias, priorizando a saúde real em vez da estética das telas”, afirmou a palestrante.
O tema foi reforçado por meio de uma apresentação teatral protagonizada pelos próprios estudantes, que encenaram situações do cotidiano para evidenciar como a publicidade digital influencia decisões alimentares, muitas vezes em prejuízo de uma dieta equilibrada.
Como contraponto à cultura digital, o evento contou com a participação do visitante indígena Sitbró Xerente, que compartilhou saberes tradicionais sobre alimentação e saúde. Em sua fala, ele destacou a relação entre o consumo de alimentos naturais e a longevidade, além de ressaltar a importância da preservação cultural.
Essa abordagem dialogou diretamente com o projeto “A nossa vivência além do cocar”, desenvolvido pela escola.
A vice-diretora da unidade, Ivoneide Motta, também ressaltou a importância da iniciativa ao integrar diferentes temáticas no processo educativo. “Refletir sobre a alimentação é essencial para a formação dos nossos estudantes, especialmente em um contexto tão influenciado pelas mídias digitais. Além disso, vivenciar duas culminâncias tão significativas fortalece o aprendizado, amplia o olhar crítico e valoriza tanto a ciência quanto a cultura dos povos indígenas”, destacou.
Após as apresentações, uma comissão avaliadora visitou os estandes organizados pelas turmas, resultado de um trabalho interdisciplinar desenvolvido ao longo das últimas semanas. O projeto integrou diferentes áreas do conhecimento:
- Matemática e Ciência de Dados: levantamento e análise de dados sobre hábitos alimentares, com aplicação de conceitos estatísticos como média e porcentagem;
- Linguagens (Português e Inglês): estudo de textos argumentativos e análise crítica de estratégias de marketing, incluindo o uso de produção visual em propagandas; no Inglês, destaque para a classificação entre healthy e unhealthy food;
- Ciências e Educação Física: abordagens sobre pirâmide alimentar, saúde corporal e os impactos dos padrões estéticos difundidos pelas mídias digitais;
- Artes: desenvolvimento da identidade visual dos estandes, com produções criativas que traduziram os conteúdos estudados.
Intitulado “Muito além do prato: a influência da mídia na cultura alimentar dos adolescentes”, o projeto foi estruturado a partir de uma metodologia ativa, envolvendo pesquisa, debate e produção de conteúdo crítico.
Os corredores da escola foram transformados em um espaço expositivo, com cartazes, elementos da cultura indígena e amostras de alimentos, proporcionando uma experiência imersiva para a comunidade escolar. A culminância evidenciou que a aprendizagem se fortalece quando teoria, prática e vivência cultural caminham juntas.











